Pular para o conteúdo

BYD Tang: deve haver algo errado com este SUV elétrico

SUV vermelho BYD T10 estacionado em ambiente interno com grandes janelas de vidro.

Com certeza deve existir alguma coisa errada com este BYD Tang - mas seguimos procurando.


Se você é do tipo de motorista desconfiado, já cansado de ouvir falar de SUV, elétricos e carros chineses, o BYD Tang provavelmente não é o melhor modelo para começar a mudar de opinião.

O problema é que, depois de dirigir, dá vontade de ignorar o que se fala por aí. O mais provável? Arrumar qualquer desculpa para acumular quilômetros ao volante do Tang. Seja qual for a marca ou a origem, o SUV topo de linha da BYD desperta curiosidade desde o primeiro contato.

No visual, ele se conecta facilmente aos demais modelos da marca, mas aqui tudo é “em tamanho grande”: 4,97 m de comprimento, 1,95 m de largura, 1,75 m de altura e 2,82 m de entre-eixos. Até as rodas são grandes, de 21″, desenhadas para ajudar na aerodinâmica.

Ares de topo de linha

Por dentro, o Tang confirma a boa impressão do lado de fora. A mistura de tons escuros com bancos de couro marrom passa uma sensação de requinte e aconchego. E ainda há lugar para sete pessoas.

Como de costume, a terceira fileira faz mais sentido em trajetos curtos ou para pessoas menores e crianças, embora ofereça um espaço acima da média.

O ponto fraco? O porta-malas. Com todos os assentos em uso, restam apenas 235 litros, o suficiente para algumas sacolas, mochilas e pouco mais. Ao rebater a terceira fileira, o volume cresce bastante, mas o assoalho mais alto tira um pouco da versatilidade.

Nos cinco lugares da frente, sobra espaço. Para o motorista, a posição ao volante é confortável e traz ajustes elétricos, aquecimento, ventilação e até função de massagem. Materiais e montagem aparecem em um nível que praticamente dispensa críticas.

Na segunda fileira, há ajuste do ângulo do encosto, uma tela dedicada para comandar o ar-condicionado (ventilação e temperatura) e, claro, a melhor vista para o enorme teto panorâmico.

Tecnologia no centro

O grande destaque tecnológico é a tela central sensível ao toque de 15,6”, que pode ficar na vertical ou na horizontal - algo útil mais para impressionar os amigos. No meu uso, ela acabou ficando sempre na horizontal, já que assim atrapalha menos a visão à frente.

O quadro de instrumentos é digital e tem 12,3”, mas é na tela central que se concentram a maioria dos comandos. Dá para perceber o empenho da BYD em adaptar o sistema ao gosto europeu, embora ainda existam detalhes a polir.

Por exemplo: configurar Apple CarPlay ou Android Auto é simples, mas escutar rádio já vira outra história. O volume de opções e personalizações é enorme - do som das setas até a forma como o BYD Tang dá boas-vindas ou se despede.

Antes mesmo de sair do lugar, alguns números ficam na cabeça: o BYD Tang pesa 2630 kg - em parte por causa da enorme bateria Blade Battery (LFP) de 108,8 kWh. A marca anuncia até 530 km de autonomia no ciclo combinado, podendo chegar a 680 km em ambiente urbano.

Números de respeito

No nosso teste, registramos consumo de 21,5 kWh/100 km - abaixo dos 24 kWh/100 km oficiais no ciclo combinado WLTP -, o que nos deixa perto de 500 km reais de autonomia.

Nos tempos de recarga, são necessárias 14 horas para completar em AC (11 kW). Já em carregador rápido (até 170 kW), dá para ir de 30% a 80% em cerca de 30 minutos.

Peso? Que peso?

Com quase 2,7 toneladas, não é de se esperar que o Tang se destaque em estrada cheia de curvas. Só que os 380 kW (517 cv) entregues por dois motores (um por eixo) e a suspensão com amortecimento “inteligente”, bem calibrada, fazem milagre.

Mesmo com esse porte, parecido com o de uma locomotiva - algo que você nunca esquece quando está ao volante -, o Tang não intimida. Pelo contrário: é daqueles carros que dão vontade de dirigir “só porque sim”. Ao volante, a sensação é de um veículo forte, macio e muito estável.

O sistema de frenagem assinado pela Brembo (com discos ventilados e perfurados de grande dimensão) reforça a segurança e passa confiança.

Que equipamento escolher? Sim.

A relação de itens de série do BYD Tang 2025 ocupa várias páginas e, no mercado europeu, existe apenas um nível de acabamento, o Flagship. E, no quesito opcionais pagos, não há nada. Os 73 702 euros pedidos no mercado nacional já incluem tudo o que há para incluir.

Ao colocar lado a lado com possíveis rivais, fica difícil não enxergar o Tang como um ótimo negócio. Por exemplo, o Kia EV9, outro SUV gigante 100% elétrico com sete lugares, custa mais - começa nos 77 500 euros -, mas tem apenas tração traseira e 150 kW (204 cv), embora declare mais autonomia: 563 km.

Se olharmos para o EV9 GT-Line AWD, concorrente mais direto do Tang, o preço salta para praticamente 90 mil euros, mas ainda oferece menos potência - 283 kWh (385 CV) - e também passa a entregar ligeiramente menos autonomia: 510 km.

Veredito

Especificações técnicas

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário