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Doenças da tireoide em Portugal: especialistas alertam que 60% não estão diagnosticadas

Médico examinando o pescoço de paciente mulher em consultório com ultrassom ao fundo.

Alta frequência de doenças da tireoide e subdiagnóstico em Portugal

As doenças da tireoide estão entre as disfunções endócrinas mais comuns no mundo, com estimativas em torno de 200 milhões de pessoas afetadas. Em Portugal, elas podem atingir até um milhão de portugueses - aproximadamente 10% da população.

Mesmo com essa incidência elevada, especialistas apontam que mais da metade dos casos não é identificada. As projeções indicam que cerca de 60% das pessoas com doença da tireoide seguem sem diagnóstico, o que pode equivaler a 600 mil pessoas.

Sintomas que costumam ser ignorados no dia a dia

Em declarações à Lusa, por causa da Semana da Tireoide, que começa hoje, a presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), Paula Freitas, afirmou que, com frequência, os sinais iniciais são relativizados e acabam confundidos com situações comuns da rotina.

Por isso, ela reforça a necessidade de dar atenção a manifestações como cansaço e mudanças de peso, especialmente quando não melhoram com o tempo.

Hipotireoidismo: sinais discretos e efeitos em outras doenças

Segundo Paula Freitas, o hipotireoidismo (quando a tireoide trabalha de forma lenta) pode passar despercebido e, em alguns casos, o diagnóstico surge em consultas de outras especialidades. “Às vezes, por exemplo, o doente tem uma bradicardia, ou seja, tem o coração a bater mais devagarinho, e acaba por ser o cardiologista que vai fazer o diagnóstico, ou até aparece com um colesterol muito elevado e quando se tenta perceber porquê é hipotireoidismo”, explicou, ressaltando que sintomas não devem ser desvalorizados.

Ela acrescentou que alterações na tireoide também podem piorar quadros já existentes: “Por exemplo, quando há diabetes ou hipertensão ou, em casos muito extremos, pode agravar a insuficiência cardíaca”.

Sobre impactos específicos, a especialista destacou: “Nas mulheres jovens impacta também na fertilidade e na própria gravidez”.

Hipertireoidismo: quando a tireoide funciona acelerada

Além do hipotireoidismo, há o quadro oposto, em que a tireoide passa a operar em ritmo mais rápido (hipertireoidismo). De acordo com a presidente da SPEDM, como os sintomas podem se instalar mais depressa e o padrão clínico é diferente, as pessoas tendem a perceber antes e, assim, o diagnóstico costuma acontecer.

“No hipertireoidismo é como se tudo estivesse acelerado. Portanto, há muitas vezes uma perda de peso, apesar de um apetite preservado ou até muito aumentado, (...) e as pessoas estão atentas a variações de peso”, observou.

Paula Freitas frisou ainda que, quando sinais e sintomas se mantêm, eles não devem ser ignorados: “podem ter significado clínico e devem ser avaliados”.

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