Um recorde de entregas no fim do ano costuma ser sinal de força - mas, em 2024, nem isso bastou para a Tesla fechar acima do resultado do ano anterior. No último trimestre, a marca reportou 495.570 unidades entregues no mundo, ainda assim insuficientes para bater as vendas anuais de 2023. Desde 2011 que a Tesla não registava uma queda nas vendas anuais.
No total do ano, as vendas da Tesla em 2024 recuaram 1,1% face a 2023. Foram 1.789.226 veículos vendidos em 2024, contra 1.808.581 unidades em 2023 - que continua a ser o melhor ano de sempre da empresa.
Este desempenho fica longe do que foi prometido em 2022 por Elon Musk, o diretor-executivo. Na altura, Musk falou em taxas de crescimento a rondar os 50% nos anos seguintes e chegou a apontar para uma meta de 20 milhões de unidades por ano - o equivalente às vendas de duas Toyota. Esse objetivo de 20 milhões, entretanto, acabou por ser abandonado.
Otimismo para 2025
Mesmo assim, Elon Musk mantém-se confiante para 2025, já tendo dito que antecipa um aumento de 20% nas vendas. Essa expectativa assenta no lançamento de um Model Y renovado e também na chegada de um novo modelo mais barato, no primeiro semestre, baseado na plataforma do Model 3 - fique a conhecer os primeiros detalhes.
A prestação morna em 2024 tem sido explicada por analistas com uma gama que já acusa a idade, com exceção da Cybertruck. Apesar de ter sido a pick-up 100% elétrica mais vendida do mundo, continua a ser um produto de nicho, com volumes relativamente modestos.
Além disso, a concorrência está cada vez mais forte nos EUA, na Europa e, sobretudo, na China.
Por outro lado, o ótimo desempenho da Tesla no último trimestre do ano deveu-se, em parte, a campanhas promocionais e descontos mais agressivos. A contrapartida foi uma queda na rentabilidade.
Vendas caíram, mas valorização disparou
O desempenho comercial da Tesla contrasta fortemente com o que aconteceu em bolsa: em 2024, a ação subiu 63%. Continua a ser, de longe, o construtor automóvel mais valioso do mundo.
Os motivos por trás desta valorização têm pouco a ver com as vendas - ou mesmo com o Cybercab, o veículo autónomo que aponta para o futuro da Tesla. Um futuro que Musk acredita ser muito mais lucrativo, com foco em veículos autónomos, robôs humanoides e software.
A valorização da Tesla em 2024 esteve ligada, em grande medida, à aproximação de Elon Musk a Donald Trump, o presidente eleito nos EUA. Essa relação começou durante a campanha presidencial, em que Musk teve um papel ativo, e, após a eleição, levou Trump a nomear Musk para co-liderar um novo Departamento de Eficiência Governamental.
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