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Estudo da Universidade da Flórida (UF) questiona o IMC e destaca a BIA para prever riscos à saúde

Paciente descalço em balança digital conversa com profissional de saúde que mostra gráfico no tablet.

Pesquisas recentes indicam que a forma “padrão” usada por muitos profissionais de saúde para avaliar se alguém está num peso saudável pode estar seriamente errada.

Um estudo populacional da Universidade da Flórida (UF) concluiu que o IMC, ou índice de massa corporal, está longe de ser a melhor ferramenta para antecipar riscos futuros de saúde relacionados ao peso.

O IMC como referência - e por que ele pode falhar

Há décadas, o IMC é tratado como medida de referência para obesidade e é apoiado por instituições como os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), o Instituto Nacional de Saúde (NIH), a Organização Mundial da Saúde (OMS), a American Heart Association (AHA), entre outras.

Nos últimos anos, porém, cientistas em vários países passaram a contestar o IMC porque ele não leva em conta diferenças de estrutura corporal, idade, género, sexo, raça ou etnia. Algumas organizações médicas, inclusive, já recomendaram que médicos reduzam a ênfase nessa métrica.

Isso ocorre porque o IMC basicamente compara o peso de uma pessoa com a sua altura, sem distinguir massa muscular de gordura. Assim, indivíduos muito musculosos podem acabar classificados como com excesso de peso ou obesidade. No extremo oposto, alguém com IMC “normal”, mas com percentuais altos de gordura corporal, pode não perceber que tem risco aumentado de problemas como síndrome metabólica ou diabetes tipo 2.

BIA (análise de impedância bioelétrica): a alternativa direta para medir gordura corporal

A equipa liderada pelo investigador em serviços de saúde Arch Mainous, da UF, defende um substituto que, segundo os autores, é necessário e pode ser feito em menos de um minuto: a análise de impedância bioelétrica (BIA).

A BIA mede diretamente a gordura corporal com um dispositivo portátil e de baixo custo. O equipamento funciona ao enviar uma corrente elétrica fraca através dos tecidos para estimar a composição de músculo e gordura.

Embora essa tecnologia exista comercialmente desde os anos 1980, apenas mais recentemente rastreadores de actividade física e relógios inteligentes passaram a incluir sensores de BIA.

Os próprios autores reconhecem que as medições não são perfeitas e podem variar. Ainda assim, o estudo nacionalmente representativo da UF sugere que essa tecnologia de 25 anos é um indicador de saúde mais preciso do que o IMC.

O que o estudo nacionalmente representativo encontrou

Na análise, pessoas com níveis elevados de gordura corporal - medidos por BIA - apresentaram um risco 262 por cento maior de morrer por doença cardíaca em comparação com aquelas com níveis mais baixos.

Já os valores de IMC não mostraram qualquer associação significativa com mortalidade.

Ao longo de 15 anos, os investigadores também observaram que adultos com alta gordura corporal, segundo a BIA, tinham 78 por cento mais probabilidade de morrer por qualquer causa do que adultos com níveis menores de gordura.

Em contraste, níveis mais altos de IMC não revelaram uma relação significativa com mortalidade por todas as causas.

O cardiologista Andrew Freeman, que não participou do trabalho, disse à Sandee LaMotte, da CNN: "Sejamos sinceros: a magnitude do risco que este estudo mostra é enorme".

Ele acrescentou: "É assustador pensar que talvez tenhamos usado um substituto - o IMC - que pode não ter sido tão preciso ao longo dos anos".

Mainous, autor principal, afirma: "Este estudo é um divisor de águas. Este é o teste definitivo de Coke versus Pepsi. E o IMC falhou".

Para Mainous e os colegas, a BIA é uma alternativa mais fiel, e os aparelhos que fazem essa medição são baratos e compactos o suficiente para virarem um recurso rotineiro em clínicas médicas.

A equipa da UF prevê que, caso os resultados sejam confirmados em coortes maiores e mais diversas, "é provável que medir a percentagem de gordura corporal com BIA se torne um padrão de cuidado".

Os autores concluem: "Estes dados vão impulsionar discussões melhores no consultório médico, bem como iniciativas de saúde pública com o objetivo de melhorar a saúde de todos".

O estudo foi publicado na Annals of Family Medicine.

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