Pular para o conteúdo

Diesel ainda faz sentido: este Volkswagen Tiguan comprova

Carro SUV Volkswagen Tiguan TDI branco exibido em showroom moderno e iluminado.

O diesel continua fazendo sentido. Este Volkswagen Tiguan é a prova disso.


Para o primeiro teste do Volkswagen Tiguan em território nacional, tivemos nas mãos uma versão R-Line, com proposta visual mais esportiva. Ainda assim, diferente do que tem virado regra nas novidades que chegam ao mercado, este SUV não conta com qualquer tipo de eletrificação de apoio, como aquele que o Guilherme Costa já teve a chance de dirigir. Aqui, sob o capô, está um motor diesel “das antigas”, um dos que mais apanharam críticas nos últimos anos.

Ao nos aproximarmos do Volkswagen Tiguan, como era de se esperar, não existe nada no exterior que denuncie esta versão específica. Por outro lado, as proporções da carroceria deixam claro desde o início que este SUV tem tudo para servir muito bem a uma família.

No desenho, a questão do gosto sempre pesa, claro, mas também é impossível ignorar o quanto o novo Volkswagen Tiguan se parece com os modelos mais recentes da marca. Os faróis, por exemplo, já trazem as tecnologias mais atuais e ainda seguem a nova “tendência” da faixa em LED conectando os dois elementos principais de iluminação.

Acima das expectativas

Os primeiros minutos a bordo do Volkswagen Tiguan também rendem impressões iniciais bem positivas, especialmente nesta configuração R-Line. Ao dirigir, a posição ao volante chega perto do ideal e oferece muitas possibilidades de ajuste, tanto na coluna de direção quanto no banco de pegada mais esportiva. Além disso, este assento é do tipo ErgoActive, com ergonomia certificada e conforto comprovado - neste caso, por mim.

Nos acabamentos, dá para notar uma evolução clara: os plásticos mais duros ficam praticamente “escondidos” na parte inferior do painel, onde quase ninguém encosta. No restante, entre superfícies mais macias ao toque e áreas revestidas em couro, a atmosfera interna fica bastante agradável. E isso melhora ainda mais quando o assunto é o espaço.

No banco traseiro, a área disponível é generosa em comprimento, altura e, principalmente, largura. Em alguns deslocamentos com o carro cheio, nem apareceram as reclamações típicas na hora de colocar os cintos. E mesmo quem foi no meio não teve qualquer “desentendimento” com o fato de essa parte do assento ser mais elevada, nem com a presença do túnel central elevado no assoalho.

Na segunda fileira do Volkswagen Tiguan, também vale destacar que a qualidade de materiais e acabamento se mantém muito próxima da encontrada na frente, algo que nem sempre acontece. Além disso, há iluminação ambiente, ainda que numa versão menos sofisticada.

Tiguan mais tecnológico

A pegada mais tecnológica dentro do Volkswagen Tiguan fica garantida pelo painel de instrumentos 100% digital (e bem personalizável), mas principalmente pelo tamanho da tela central. Além das 15” de diagonal, as duas telas têm resolução alta e um funcionamento rápido e preciso.

Mesmo assim, existem funções que “obrigam” o motorista a procurar um pouco e pedem um tempo de adaptação. Os controles do ar-condicionado, por exemplo, estão todos concentrados na tela sensível ao toque, e é necessário um período de costume antes de operar tudo com mais agilidade.

O novo Volkswagen Tiguan deixou de oferecer câmbio manual. A única transmissão disponível é a DSG, ou seja, uma automática de dupla embreagem. Por isso, o seletor do câmbio passou para o lado direito da coluna de direção, “empurrando” as funções da alavanca que ficava ali para a haste do lado esquerdo. Parece confuso, mas na prática não é.

Ainda mais diferentes são as “Atmospheres” disponíveis no habitáculo - Lounge, Joy, Energetic, Minimal ou Me (personalizável). Dependendo da escolha ou do humor, cada uma consegue alterar vários parâmetros, como o visual do painel, a temperatura interna, a cor da iluminação ambiente e até a intensidade do som.

Firmeza extra na estrada

Este R-Line traz rodas de liga leve com 20” de diâmetro, que, na minha opinião, combinam perfeitamente com a estética do Tiguan, mas têm seus pontos negativos. Em trechos de piso mais irregular, por exemplo, há vibrações que chegam ao interior e podem gerar ruídos parasitas indesejados. No fim, isso acaba tirando pontos do conforto.

Por outro lado, o Volkswagen Tiguan usa bem a direção com assistência progressiva e os pneus de proposta mais esportiva para entregar muita estabilidade em curvas. Tanta que chega a ser incomum para um SUV desse porte. E como não há ajuda eletrificada - com baterias extras -, o peso total fica em 1677 kg. Ou seja, também não exige muito de componentes que foram projetados para valores bem mais altos.

O “velhinho” motor diesel

Quase dá a sensação de que estamos levando o avô dos motores para a sala de convivência de um lar de idosos, a tempo de assistir ao Preço Certo. Só que não: é justamente o contrário. O diesel está em ótima forma, e isso aparece com clareza ao volante do Volkswagen Tiguan. O resultado é que fica até difícil acreditar que essa motorização não deve durar muito mais tempo.

A marca declara aceleração de 0 aos 100 km/h é de 9,4s e velocidade máxima de 207 km/h. Em nenhum momento o Tiguan passa a impressão de ser lento, mantendo um bom ritmo sempre que desejarmos. Para ajudar no desempenho, há quatro modos de condução: Eco, Comfort, Sport ou Individual - este último, com a configuração que preferirmos.

Os 150 cv do 2.0 TDI se mostraram suficientes tanto para o dia a dia quanto para muitas outras situações. E ainda com a vantagem de entregar médias de consumo que se mantêm com facilidade entre cinco e seis litros.

Assim, com um tanque de combustível de 55 l, alcançar uma autonomia máxima com quatro algarismos não vira um grande desafio.

A eterna questão do preço

Como costumo fazer em quase todos os testes, durante o período em que dirigi este Tiguan tentei não saber quanto ele custava. Assim, evito que esse fator acabe influenciando outros pontos. Mas cedo ou tarde eu teria de encarar o número - e, aqui, foi quase um “soco no estômago”.

A Volkswagen informa um preço base de 38 068 euros para o Tiguan. Só que esse valor corresponde às versões com o motor a gasolina 1.5 eTSI de 130 cv, no nível de equipamento de entrada. No caso do carro testado, estamos no extremo oposto.

Com o motor diesel 2.0 TDI de 150 cv, o preço base sobe para 47 400 euros. E, ao escolher o pacote R-Line, o mais completo, o valor aumenta de novo, para 55 880 euros. Além disso, somando os opcionais presentes no exemplar testado, o total final passa dos 60 mil euros (61 528 euros, para ser exato).

Quando o assunto é custo, existe ainda outro número importante: o referente ao Imposto Único de Circulação (IUC). A faixa mais baixa de emissões tem como limite 140 g/km de CO₂.

No Volkswagen Tiguan 2.0 TDI, com o nível de equipamento R-Line - rodas de 20” de série -, esse valor é superado por “meia dúzia” de gramas. Na prática, isso significa mais de 37 euros no imposto anual a pagar: vai de 241,49 euros para 278,85 euros.

Veredicto

Ficha técnica

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário