Marcas de diferentes segmentos vêm intensificando a aposta em híbridos plug-in, acompanhando uma demanda que não para de crescer. Ainda assim, a Polestar não demonstra disposição para voltar a esse tipo de oferta - ao menos quando o assunto é Europa.
Estratégia da Polestar: 100% elétricos na Europa
Vale lembrar que a Polestar surgiu como marca independente justamente com um híbrido plug-in, o Polestar 1. Só que, desde o início, a liderança deixou claro que aquele seria o primeiro e também o último: dali em diante, os próximos modelos da Polestar seriam 100% elétricos.
Esse posicionamento tende a continuar. Embora Lutz Stiegler, diretor técnico (CTO) da Polestar, não tenha cravado um “sim” ou “não” definitivo sobre um eventual retorno, ele reconheceu à Automotive News Europe que existe apenas um cenário em que o investimento faria sentido: o mercado da China.
China concentra a demanda por híbridos plug-in
Os números mais recentes ajudam a explicar essa leitura. No primeiro semestre deste ano, as vendas de híbridos *plug-in* na China avançaram 85%, chegando a 1,92 milhões de unidades. No mesmo período, os elétricos cresceram 12%, totalizando 3,02 milhões.
Na Europa, o ritmo foi bem mais contido: nos primeiros seis meses de 2024, os híbridos *plug-in* aumentaram 2,1%, para pouco mais de 487 mil unidades, enquanto os elétricos subiram somente 1,6%, alcançando 954 mil unidades.
Com o peso do mercado chinês, outras marcas do grupo Geely - do qual a Polestar faz parte - passaram a considerar ampliar a oferta de híbridos *plug-in, ou até estrear nesse tipo de trem de força. *Volvo, **Zeekr e até a Smart já sinalizaram interesse nessa direção. E, na própria Europa, há várias montadoras revisando o caminho que vinham seguindo nesse tema.
“Eu não vejo a Polestar a adicionar um híbrido plug-in à sua gama, mas nunca se sabe. Posto isto, de um ponto de vista tecnológico, não faz muito sentido que seja fora da China.”
- Lutz Stiegler, CTO da Polestar
Para o CTO, no contexto europeu os híbridos “de ligar à corrente” não se sustentam, especialmente diante das críticas que vêm recebendo. O motivo, segundo ele, é que muitos não são carregados com a frequência necessária para gerar o efeito esperado na redução de emissões - algo que um relatório da Comissão Europeia apontou.
Críticas infundadas
Além disso, Stiegler também colocou em dúvida a forma como parte do público no “velho continente” reage aos carros 100% elétricos. Para ele, há argumentos contrários que não se apoiam em experiência real: “Alguns argumentos contra esta tecnologia não estão muito corretos, com a maior parte dos comentários negativos a virem de pessoas que nunca conduziram um elétrico”.
Preço dos elétricos e um Polestar abaixo do 2
Sobre o custo elevado dos elétricos, o executivo afirmou que a indústria até consegue reduzir preços - mas isso exigiria abrir mão de aspectos do produto.
“A indústria pode oferecer 100% elétricos a um custo mais baixo. Isso não é o problema. No entanto, esses carros não irão ter a mesma qualidade que os elétricos de hoje.”
- Lutz Stiegler, CTO da Polestar
Ainda nessa discussão, Lutz Stiegler praticamente descartou a possibilidade de existir um Polestar abaixo do 2, em um posicionamento semelhante ao Volvo EX30, que vem registrando grande sucesso. “Se me perguntar como engenheiro, eu diria ‘Sim'”, disse ele, mas “se me perguntar como membro da administração da Polestar, seria difícil de fazer como uma marca de performance progressiva. Para nós competir em preço com o EX30 ou o Smart (#1) não faz sentido”, concluiu.
Fonte: Automotive News Europe
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