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Endometriose em Thüringen: casos quase triplicam, aponta relatório médico da Barmer

Mulher grávida consulta médica, médica segura laço amarelo, símbolo de conscientização sobre a saúde materna.

Mas, por trás do aumento dos números, existe também um pequeno alívio.

Uma análise recente de uma grande operadora de plano de saúde indica que, em Thüringen, a quantidade de mulheres com endometriose registrada quase triplicou nos últimos anos. À primeira vista, isso pode soar alarmante, mas especialistas veem parte desse salto como sinal de avanço: mais pacientes finalmente chegam ao tratamento com o diagnóstico correto, em vez de suportarem dor por décadas.

Diagnósticos em Thüringen quase triplicaram

Para o seu novo relatório médico, a Barmer avaliou dados de 2005 a 2024. O resultado é expressivo: em 2005, cerca de 3.600 mulheres com endometriose estavam registradas em Thüringen; em 2024, já eram mais de 10.000.

"O número de casos documentados de endometriose em Thüringen aumentou, em duas décadas, de 3.600 para mais de 10.000 - um crescimento de quase 180%."

Há muito tempo a endometriose é considerada uma doença subestimada e, com frequência, ignorada. Muitos clínicos gerais e até ginecologistas ainda tratam cólicas menstruais intensas como algo “normal”. Com isso, não raro leva bastante tempo até que alguém cogite endometriose e inicie uma investigação direcionada.

Por essa razão, a Barmer interpreta o aumento dos casos não só como sinal de alerta, mas também como indício de maior atenção de médicas e médicos aos sintomas típicos. Mais mulheres passam a ter uma explicação para a dor - e, com isso, acesso a terapias.

O que a endometriose causa no corpo

A endometriose é uma doença crônica em que um tecido semelhante ao endométrio (revestimento interno do útero) cresce fora do útero - por exemplo, na cavidade abdominal, nos ovários, no intestino ou na bexiga. Esses focos respondem aos hormônios de forma parecida com a mucosa uterina.

  • A cada ciclo, os focos podem inchar e sangrar.
  • O tecido pode gerar aderências, formar cistos e desencadear inflamações.
  • Uma consequência comum é a dor forte na parte inferior do abdômen - e não apenas durante a menstruação.
  • Muitas pacientes também relatam dor durante a relação sexual ou ao evacuar/urinar.
  • A fertilidade pode ser afetada e, em alguns casos, o desejo de engravidar não se concretiza.

As causas ainda não estão totalmente esclarecidas. Discute-se a participação de fatores genéticos, alterações do sistema imunológico e influências hormonais. O que já está claro é que não se trata de sintomas “da cabeça”: é uma doença comprovável fisicamente e de alta carga para a vida cotidiana.

Terapia: de analgésicos a cirurgia

O tratamento varia bastante conforme a intensidade dos sintomas, a idade da paciente e a existência de desejo de engravidar. Em Thüringen, segundo informações do plano de saúde, são utilizados todos os métodos mais comuns.

Componentes típicos do tratamento incluem:

  • Controle da dor: analgésicos anti-inflamatórios, às vezes combinados com medicamentos mais fortes.
  • Tratamento hormonal: por exemplo, pílula em uso contínuo, progestágenos ou DIU hormonal, para reduzir o ciclo e “enfraquecer” os focos.
  • Cirurgia: em muitos casos, os focos de endometriose são removidos ou cauterizados por laparoscopia. Isso serve tanto para confirmar o diagnóstico quanto para aliviar os sintomas.
  • Terapias de apoio: fisioterapia e terapia do assoalho pélvico, psicoterapia, orientação nutricional ou cursos de manejo da dor.

Nenhuma dessas medidas assegura cura completa. Muitas mulheres convivem com a doença por anos e precisam, repetidamente, ajustar o tratamento.

Diagnóstico um pouco mais cedo - período de sofrimento um pouco menor

O relatório médico não aponta apenas o aumento de casos, mas também uma mudança na idade ao receber o diagnóstico. Em 2015, as mulheres de Thüringen obtinham o primeiro diagnóstico, em média, aos 41,2 anos. Em 2024, essa média caiu para 37,4 anos.

"A idade ao diagnóstico diminuiu em quase quatro anos dentro de nove anos - um sinal de que as queixas estão sendo levadas mais a sério e investigadas mais cedo."

Receber o diagnóstico antes pode melhorar de forma significativa o dia a dia de muitas mulheres. Quem descobre ainda por volta dos 30 e poucos anos o que está por trás da dor consegue planejar terapias, ajustar melhor as exigências no trabalho e, caso exista, lidar de modo mais direcionado com o desejo de ter filhos. Ao mesmo tempo, a distância entre os primeiros sintomas e o diagnóstico frequentemente continua grande: muitas pacientes descrevem uma verdadeira maratona por consultórios até que alguém trate as queixas com seriedade.

Dor, enxaqueca, saúde mental: alta carga de doença

O relatório da Barmer evidencia o quanto a endometriose afeta outras áreas da vida. Mulheres com esse diagnóstico apresentam com muito mais frequência outras condições de saúde do que mulheres da mesma idade sem endometriose.

Doença associada Frequência em pacientes com endometriose Comparação com mulheres sem endometriose
Dor abdominal e pélvica mais de duas vezes mais comum risco muito elevado
Enxaqueca e dores de cabeça fortes bem mais comum risco elevado
Doenças do sistema musculoesquelético registradas com maior frequência risco elevado
Depressão e transtornos de ansiedade claramente mais comuns risco elevado

De acordo com o conhecimento atual, a endometriose não aumenta a mortalidade. Ainda assim, a qualidade de vida pode ser gravemente afetada. Muitas pacientes faltam ao trabalho repetidas vezes, desmarcam compromissos e se afastam do convívio social. Soma-se a isso a pressão de ter de se explicar o tempo todo, porque cólicas intensas costumam ser minimizadas.

Thüringen fica mais para o fim no ranking nacional

Apesar do crescimento expressivo, Thüringen ainda aparece na parte de baixo do ranking entre os estados. Segundo o relatório, 939 em cada 100.000 mulheres recebem tratamento por endometriose ali. Na média da Alemanha, são 1.212 por 100.000.

O primeiro lugar é de Berlim, com 1.618 casos por 100.000 mulheres. As diferenças provavelmente não se explicam apenas por variações reais de frequência, mas sobretudo por condições de acesso ao cuidado e pelo nível de conhecimento sobre a doença.

"Em especial regiões mais rurais, como partes de Thüringen, frequentemente ficam para trás em sensibilidade e velocidade de diagnóstico."

Em áreas rurais, mulheres costumam ter trajetos mais longos até consultórios especializados ou centros de endometriose. Também é mais difícil conseguir consulta com especialistas. Ao mesmo tempo, persistem estereótipos como “cólica faz parte”. O plano de saúde enxerga aqui uma necessidade clara de mais informação - tanto para a população quanto para profissionais de saúde.

O que as pacientes podem fazer

Quem sofre com dores fortes e recorrentes no baixo ventre não deveria simplesmente aguentar. Sociedades médicas e organizações de pacientes recomendam manter um diário de dor. Nele, é possível registrar quando as queixas surgem, a intensidade e quais sinais associados aparecem.

Pontos úteis para um diário de dor:

  • data e horário das dores
  • intensidade em uma escala de 0 a 10
  • relação com a menstruação ou o ciclo
  • outros sintomas, como náusea, dor de cabeça, diarreia ou constipação
  • uso de analgésicos e o efeito percebido

Com essas anotações, fica muito mais fácil explicar ao médico, na próxima consulta, o que está acontecendo. Se a paciente tiver a impressão de que não está sendo levada a sério, vale buscar uma segunda opinião ou procurar especificamente ginecologistas com experiência em endometriose.

Por que a endometriose ainda é subestimada

A endometriose ilustra um problema mais amplo: muitas doenças específicas das mulheres ainda recebem menos financiamento de pesquisa e menos atenção pública do que outras condições. Por muito tempo, cólica menstrual foi tratada como um tema “do qual não se fala”. Com isso, muitas pacientes aprenderam a minimizar os próprios sintomas.

Nos últimos anos, cada vez mais mulheres passaram a falar publicamente sobre o assunto, inclusive influenciadoras e celebridades. Elas relatam como conviveram por anos com dores sem explicação. Esse tipo de depoimento ajuda a fazer com que médicos investiguem com mais cuidado e que parceiros, empregadores e familiares levem a carga da doença mais a sério.

Termos que costumam gerar dúvidas

Algumas expressões médicas ligadas à endometriose podem parecer assustadoras à primeira vista. Alguns exemplos do cotidiano de pacientes:

  • Laparoscopia: procedimento minimamente invasivo, com pequenos cortes na parede abdominal. Uma câmera e instrumentos permitem identificar e remover focos.
  • Cisto: cavidade cheia de líquido que pode se formar, por exemplo, nos ovários. Cistos de endometriose muitas vezes são chamados de “cistos de chocolate”, porque o conteúdo é amarronzado.
  • Dor crônica: dor que persiste por meses ou anos e acaba se “fixando” no sistema nervoso. Também prejudica a saúde mental e o sono.

Quem se familiariza com esses termos consegue perguntar com mais precisão durante a consulta e entender melhor as decisões terapêuticas. Em uma doença que pode marcar o cotidiano por décadas, ajuda participar ativamente do cuidado, em vez de apenas receber orientações.


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