Alguns juram que ajuda; outros veem nisso um modismo esotérico de altíssimo risco. A ayahuasca, uma bebida psicodélica originária da floresta tropical, também virou tendência entre europeus. Por trás do interesse está uma combinação bastante complexa de substâncias vegetais que não mexe só com a mente: antes, atinge o estômago - com reações físicas intensas e mudanças profundas no cérebro.
O que há por trás do misterioso chá da selva
A ayahuasca tem origem em culturas indígenas da região amazônica. Lá, xamãs utilizam a bebida há séculos em rituais para lidar com sofrimentos físicos e emocionais. Não se trata de uma planta única, e sim de um tipo de “kit” químico feito de plantas.
O mais comum é unir:
- folhas da planta chacruna (Psychotria viridis)
- a liana Banisteriopsis caapi, muitas vezes chamada simplesmente de “cipó de ayahuasca”
Os ingredientes são fervidos por horas, até restar um líquido espesso e marrom, de sabor muito amargo e pesado para o estômago.
Como a ayahuasca dribla o sistema digestivo
A substância realmente psicodélica está nas folhas de chacruna: a dimetiltriptamina, ou DMT. Esse composto existe em muitas plantas - em teoria, poderíamos ingeri-lo o tempo todo por meio da alimentação.
Em condições normais, porém, o próprio organismo impede isso: um grupo de enzimas no trato digestivo, a monoaminooxidase (MAO), degrada o DMT tão rapidamente que nada chega ao cérebro. É exatamente aqui que entra o cipó de ayahuasca.
"A liana Banisteriopsis caapi contém substâncias que bloqueiam a enzima MAO - com isso, a bebida da selva desliga, por assim dizer, a barreira química de proteção do sistema digestivo."
Só com essa inibição o DMT consegue sair do intestino, entrar na corrente sanguínea e seguir até o cérebro. Sem a liana, a experiência terminaria no estômago antes mesmo de começar na consciência.
O custo: náusea, vômito e “purificação”
Quem toma a bebida costuma sentir, em pouco tempo, reações físicas importantes. É típico ocorrer:
- náusea intensa
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