Custo de produção e potencial do genérico
Um medicamento de grande impacto contra a obesidade e o diabetes pode vir a custar apenas $3 por mês para ser fabricado quando ficar sem patente ainda neste mês, afirmaram pesquisadores na sexta-feira - o que abre uma oportunidade importante para ampliar ganhos de saúde em países de baixa e média renda.
O remédio em questão é a semaglutida, molécula ativa nos tratamentos Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk. Em pacientes, ela promove perda de peso significativa e, por isso, pode contribuir de forma relevante no controle do diabetes e de outros problemas médicos associados à obesidade.
Patentes da semaglutida em Brasil, China e Índia
Segundo os pesquisadores, a semaglutida vai perder proteção de patente, ainda neste mês, em países como Brasil, China e Índia. Eles também identificaram 150 países onde o composto nunca chegou a ser patenteado.
Com base em informações de preços de outros medicamentos que recentemente deixaram de estar sob patente, equipes do Reino Unido, da África do Sul e da Nova Zelândia calcularam qual poderia ser o preço de fabricação de uma versão genérica de semaglutida.
A estimativa indica que produzir um suprimento mensal pode custar a partir de $3. Para comparação, na forma de marca, a semaglutida é vendida por cerca de $200 por mês nos Estados Unidos.
Impacto em obesidade e diabetes tipo 2
O Dr. Samuel Cross, do Imperial College London e um dos autores do estudo, destacou que obesidade e diabetes são doenças crônicas que elevam o risco de AVC, diabetes, doença cardíaca, falência renal e câncer.
"Se a produção genérica reduzir os preços a níveis sustentáveis, milhões de pessoas a mais poderão ter acesso ao tratamento", afirmou.
No mundo, centenas de milhões de pessoas convivem com diabetes tipo 2, condição que pode levar à falência renal, cegueira e amputação.
Em escala global, a obesidade clínica está associada a 3.7 milhões de mortes por ano.
Os pesquisadores calcularam que os 160 países em que a semaglutida não ficará sob patente reúnem 69 por cento das pessoas com diabetes tipo 2 no mundo e 84 por cento das pessoas com obesidade clínica.
Outro autor do trabalho, o professor Francois Venter, da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, disse que medicamentos para tratar HIV, TB, malária e hepatite hoje são vendidos a preços próximos aos custos de produção - ainda assim, suficientes para que fabricantes de genéricos operem.
"Podemos repetir essa história de sucesso médico com a semaglutida", declarou.
Os pesquisadores divulgaram os resultados diretamente, e não em uma revista científica revisada por pares.
© Agência France-Presse
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário