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Sardinha volta a Leixões com preços em alta e safra promissora

Homem comprando peixe fresco em banca com caixotes de madeira e barco de pesca ao fundo.

Sardinha em Leixões: a volta ao mar, os primeiros lances e a corrida na lota

"Vendemos a 45 euros o cabaz (dois euros o quilo). Foi bem bom!", conta André Santos, abrindo um sorriso. Depois de cinco meses em casa, voltar ao mar foi "um alívio".

No porto de pesca de Leixões, em Matosinhos - o mais movimentado do país - a agitação reapareceu: empilhadeiras indo e vindo, cheiro de peixe fresco, dornas cheias e o grasnar incessante das gaivotas. As primeiras sardinhas desta temporada chegaram na madrugada desta segunda-feira, ao nascer do sol. E, se na lota o valor por quilo ficou perto de dois euros, para o consumidor o mesmo quilo já começou a aparecer por sete euros.

"Fartura no mar, um tamanho bom, gordura q.b. para a época". A safra está oficialmente aberta e, neste ano, a quota total é de 33 446 toneladas. O preço começou alto e, em comparação com 2025, mais do que dobrou. Comprador não faltou, e tudo parece encaminhado para ser "um ano excelente".

"Pescamos ao largo d'Apúlia (Esposende). Foi logo ao primeiro lance. Trouxemos 'a conta' [os 250 cabazes permitidos]. É o melhor que podíamos pedir", continua André Santos, contramestre do "Pedro André", com 40 anos de profissão e 25 passados no mar.

Em 2025, a sardinha garantiu um ano "muito bom". Agora, apesar de a quota ter recuado um pouco (-2,8%), a leitura do primeiro dia reforça que "as perspectivas são boas".

Diesel mais caro e a pressão sobre os custos da pesca

O que realmente o preocupa é a alta do diesel. "Gasto 5000 litros por semana. São mais de seis mil euros! Temos mesmo de faturar, ter peixe e a bom preço, senão não há quem aguente", desabafa. Fazendo as contas, desde dezembro, o gasóleo verde encareceu quase 50 cêntimos por litro. Na prática, isso representa mais dois mil euros por semana, e a ajuda prometida pelo Governo - 10 cêntimos por litro - "de pouco ou nada vale e, até agora, nem vê-la".

Conserveiras, compra garantida e o selo "azul" da pesca sustentável

Neste ano, as conserveiras voltam a assegurar a compra de metade das capturas aos barcos da Propeixe - Cooperativa de Produtores de Peixe do Norte. Para quem vive do mar, "é venda certa e isso é o mais importante".

O preço - fixo - aumentou 45%: saiu de 20 para 29 euros o cabaz (de 0,89 para 1,29 euros o quilo). Somando essa alta à escalada do diesel e à recuperação do selo "azul" (o mais alto galardão da pesca sustentável), a valorização na lota já era esperada.

"Há muito peixe no mar e isso é bom", diz Josué Coentrão, enquanto coordena a tripulação. Ele também trouxe "a conta" e, ali mesmo, em frente ao porto de Leixões, a 15 quilómetros da costa, vendeu por 38 euros o cabaz (1,69 euros o quilo). Na lota, o valor do leilão varia conforme tamanho, gordura, frescor e até a ordem de chegada do barco, mas o mestre do "Mar Branco" não reclama: no primeiro dia de 2025, o preço ficou em torno de 20 euros por cabaz (0,89 euros o quilo).

O "Pai Eterno" também fechou a 45 euros o cabaz, e Bernardino Coentrão comemorou. O contramestre admite que a sardinha "ainda é um bocadinho pequeno" e não é "aquela sardinha grande, de encher o olho", mas garante que esta é "a mais gostosa". "Só peço que este ano seja igual a 2025. Já nem quero melhor!", reforça.

Dois euros na lota, sete euros para o consumidor

Se, na lota de Leixões, o quilo ficou na casa de dois euros, a venda ao consumidor começou, nesta segunda-feira, pelos sete euros. "Quem mais ganha, infelizmente, não somos nós", protesta Bernardino Coentrão.

Entre os pescadores, o pensamento já vai para os santos populares. Nessa época, a sardinha costuma estar maior e, com a procura em alta, o preço aumenta. Nesse ponto, "este ano, promete".

Para ele, o grande problema da pesca do cerco é a longa parada por causa de uma quota considerada "demasiado curta". Assim como quase todas as embarcações, o "Pai Eterno" estava parado desde dezembro, quando se esgotaram as possibilidades de captura de sardinha. Foram cinco meses sem atividade, com os 19 tripulantes vivendo apenas do seguro-desemprego.

"Este ano, em janeiro e fevereiro, com as tempestades, nem pudemos ir ao biqueirão", recorda o contramestre, lembrando que esse peixe pequeno, muito valorizado na vizinha Espanha, "sempre ajudava a compor o orçamento".

Ainda assim, o cenário melhorou - "e muito!" - em relação aos anos difíceis de 2018 e 2019, quando a quota nacional nem chegava a 10 mil toneladas e desaparecia em apenas três meses de safra. Naquele período, a pesca do cerco "penou". Agora, com os preços em alta, esse capítulo fica, de vez, para trás.

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