Quem pensa em peixe branco e magro quase sempre chega ao bacalhau. O que pouca gente percebe é que um parente bem próximo pode ser tão interessante quanto - e, quando o assunto é mercúrio, geralmente leva vantagem. Estamos falando do eglefino (haddock), um peixe discreto na peixaria, mas com muito a oferecer do ponto de vista nutricional.
Por que o eglefino chama a atenção de quem cuida da saúde
O eglefino é um dos clássicos peixes magros. A proteína é de boa qualidade, bem aproveitada pelo organismo e costuma ser fácil de digerir. Já a gordura fica, em média, bem abaixo de 1 g a cada 100 g de filé, o que o encaixa muito bem em uma alimentação com foco em calorias - seja para perda de peso, seja para manter uma rotina com pratos mais leves.
"O eglefino entrega muita proteína de alta qualidade, quase nada de gordura - e, ainda assim, uma quantidade surpreendente de vitaminas e minerais."
Entre os nutrientes que mais se destacam para o corpo, entram:
- Vitamina B12: contribui para a formação do sangue e para o sistema nervoso
- Vitamina B3 (niacina): importante para o metabolismo energético e para a pele
- Selênio: reforça as defesas do organismo e dá suporte à tireoide
- Fósforo: tem papel central na manutenção de ossos e dentes
O selênio, em particular, costuma faltar com mais frequência na Europa Central, já que os solos tendem a ser relativamente pobres nesse mineral. O eglefino ajuda a compensar essa lacuna de forma eficiente.
Peixe no lugar do bife: o que muda para o coração
Ao optar mais vezes por peixe magro e reduzir carnes vermelhas como boi e porco, o perfil de gorduras da dieta muda quase automaticamente. Carnes vermelhas trazem mais gorduras saturadas, que podem elevar o LDL (o chamado “colesterol ruim”). O eglefino, por outro lado, tem pouca gordura - e a parcela presente tende a ser formada principalmente por gorduras insaturadas, consideradas mais favoráveis.
Na prática, isso pode contribuir para melhorar o perfil lipídico: menos gorduras sanguíneas desfavoráveis e uma relação mais equilibrada entre colesterol e triglicerídeos. No longo prazo, essa troca favorece a redução do risco de problemas cardiovasculares.
"A troca - substituir um bife por eglefino - faz mais por coração e vasos do que muitos suplementos caros."
Embora espécies mais gordas, como salmão ou cavala, entreguem muito mais ômega‑3, o eglefino ainda participa do jogo: ele tem menos, mas mantém quantidades relevantes dessas gorduras com efeito anti-inflamatório. Elas podem ajudar a reduzir triglicerídeos, proteger vasos e apoiar a saúde do coração.
Quase sem mercúrio: por que o eglefino é visto como um “peixe seguro”
Um motivo comum para muita gente evitar peixe é o receio de metais pesados, especialmente o mercúrio. Em algumas espécies a preocupação faz sentido; no eglefino, ela costuma ser bem menor.
Isso acontece por alguns fatores combinados:
- Vida relativamente curta: menos tempo para acumular metais pesados nos tecidos
- Sem topo de cadeia alimentar: o eglefino se alimenta sobretudo de pequenos animais do fundo do mar, e não de grandes peixes predadores
- Fiscalização frequente: órgãos internacionais verificam limites e classificam o eglefino repetidamente como uma “escolha favorável”
Resultados de institutos em diferentes países e avaliações da agência norte-americana FDA colocam o eglefino com frequência entre as espécies mais tranquilas nesse quesito. Por isso, ele aparece em diversas recomendações para gestantes e crianças como um peixe que pode entrar no cardápio com regularidade, sem grandes preocupações.
"O eglefino está entre os peixes com carga muito baixa de mercúrio - um ponto claramente positivo para crianças, gestantes e lactantes."
Sabor: suave, carne branca e sem “cheiro forte” na cozinha
Além dos números de nutrientes, para a maioria das pessoas o principal argumento é o sabor. Aqui o eglefino costuma agradar: a carne é branca e macia, com um toque levemente adocicado. E aquele “cheiro de peixe” que incomoda muita gente tende a ser bem discreto.
Os filés têm fibras finas e não se desfazem tão rápido quanto alguns pedaços muito finos de bacalhau. Na frigideira ou no forno, a carne pode ficar suculenta - desde que não passe do ponto.
Como usar eglefino no dia a dia
Apesar de parecer um peixe simples no balcão, o eglefino rende preparos bem variados. Algumas ideias práticas:
- Cozimento suave: no vapor ou no forno em papel‑alumínio, com limão e ervas
- Na frigideira: selado rapidamente em azeite, com legumes e batatas
- Como curry de peixe: em leite de coco com cubos de legumes, gengibre e um pouco de pimenta
- Para crianças: em palitos de peixe caseiros - empanados, mas sem encharcar em óleo de fritura
- Em sopa: como complemento em uma sopa leve de peixe com legumes de raiz
Por ter um sabor mais delicado, ele funciona bem até para quem “não gosta muito de peixe”. Com ervas frescas, um pouco de suco de limão e um bom óleo, dá para chegar a um prato com cara de cozinha leve - e não de mercado de peixe.
Eglefino versus bacalhau: quem leva a melhor?
Do ponto de vista nutricional, eglefino e bacalhau jogam no mesmo time. Os dois pertencem ao grupo dos gados (família dos bacalhaus), os dois são magros, ricos em proteína e relativamente baixos em calorias.
| Valor nutricional (por 100 g) | Eglefino | Bacalhau (Atlântico) |
|---|---|---|
| Calorias | ca. 75–85 kcal | ca. 75–85 kcal |
| Gordura | abaixo de 1 g | em torno de 1 g |
| Proteína | alto teor | alto teor |
| Selênio | geralmente um pouco maior | um pouco menor |
| Textura | mais delicada, filés menores | mais firme, filés maiores |
Dá para chamar os dois de “primos nutricionais”. As diferenças aparecem nos detalhes: o eglefino costuma ser um pouco mais magro e se destaca em selênio e potássio, enquanto muita gente escolhe o bacalhau por pura familiaridade.
"Quem gosta de bacalhau normalmente também gosta de eglefino - e ainda ganha um pouco mais de selênio e níveis muito baixos de mercúrio."
O que observar na hora de comprar
Na compra, vale checar rapidamente a origem e o método de pesca. Eglefino capturado de forma sustentável reduz a pressão sobre os estoques e ajuda a preservar o ecossistema marinho.
- Procure selos de sustentabilidade conhecidos, como o MSC.
- A frescura costuma aparecer em carne firme e cheiro neutro.
- Eglefino congelado é uma boa opção quando o fresco estiver difícil de encontrar.
Quem consome peixe com frequência também se beneficia ao alternar espécies. Assim, entram nutrientes diferentes no prato e o risco individual de eventuais contaminantes fica mais distribuído.
Quanto peixe por semana faz sentido
Em geral, especialistas em nutrição sugerem uma a duas refeições com peixe por semana. Peixe magro, como o eglefino, se encaixa muito bem nessa frequência. Quando combinado com porções ocasionais de peixe gordo, forma uma base sólida para coração, cérebro e vasos.
Uma ideia prática para a semana poderia ser:
- Um prato com peixe branco magro (por exemplo, eglefino).
- Um prato com peixe marinho mais gordo (por exemplo, arenque ou salmão).
Somando bastante legumes, acompanhamentos ricos em fibras (como arroz integral ou batata com casca) e óleos vegetais de boa qualidade, o resultado tende a ser uma combinação equilibrada e amiga do coração.
Riscos que continuam existindo, mesmo com um “peixe seguro”
Apesar do baixo mercúrio, peixe ainda é um alimento de origem animal e muito perecível. Armazenamento inadequado pode causar intoxicação alimentar. Por isso, é importante manter bem refrigerado, preparar logo e cozinhar adequadamente - especialmente quando gestantes ou crianças pequenas também vão comer.
Outro ponto são reações alérgicas. Quem já reage a certos peixes deve testar novas espécies em pequenas quantidades e, em caso de dúvida, buscar orientação médica. O eglefino também pode provocar alergia, embora isso seja bem menos comum do que com crustáceos.
O que “peixe magro” e “melhor escolha” realmente querem dizer
“Peixe magro” é o termo usado para espécies com teor de gordura especialmente baixo. Além do eglefino, entram nesse grupo o bacalhau, o pollock e a solha. Em comum, eles oferecem muita proteína sem pesar tanto na conta de calorias.
Quando órgãos e institutos classificam o eglefino como “escolha favorável”, normalmente estão olhando para três aspectos:
- baixos níveis de metais pesados
- boa densidade de nutrientes
- impacto ambiental relativamente menor quando a pesca é sustentável
Então, se você topar no supermercado ou na peixaria com aquele peixe branco discreto chamado eglefino, dá para colocar no carrinho com mais segurança - principalmente quando origem e método de captura são confiáveis. Para quem gosta de peixe, mas fica desconfiado por causa do mercúrio, ele está entre as opções mais interessantes no balcão refrigerado.
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