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Eglefino: o peixe de baixa carga de mercúrio para comer com tranquilidade

Pessoa temperando peixe cru com ervas e limão em tábua de madeira na cozinha.

Muita gente evita peixe por medo de mercúrio - mas há um nome pouco valorizado no freezer do supermercado que é considerado especialmente seguro.

Quem tenta comer de forma mais consciente costuma incluir peixe no cardápio. Ainda assim, termos como “metais pesados” e “sobrepesca” deixam muita gente insegura. Um peixe discreto, porém, se destaca de maneira positiva: o eglefino. Ele é visto como leve, nutritivo e está entre as espécies com carga de mercúrio muito baixa - uma ótima opção para quem quer colocar mais peixe no prato sem culpa.

Por que o eglefino é um achado para uma alimentação saudável

O eglefino pertence à família dos bacalhaus e é comum no Mar do Norte e no Atlântico Norte. No varejo, costuma aparecer principalmente em filés congelados, mas passa batido por muitas pessoas. E isso é uma pena: ele combina muito bem com um estilo de alimentação atual, com foco em calorias e qualidade nutricional.

O eglefino oferece proteína de alta qualidade, quase nada de gordura e muitos micronutrientes - além de níveis muito baixos de mercúrio.

Principais vantagens, de forma direta:

  • Muito magro: menos de 1 g de gordura a cada 100 g - excelente para quem quer emagrecer ou manter o peso.
  • Ótima fonte de proteína: a proteína é fácil de digerir e dá suporte a músculos, sistema imune e recuperação.
  • Rico em vitaminas do complexo B: especialmente vitamina B12 e niacina (B3), ligadas ao funcionamento de nervos, cérebro e à formação do sangue.
  • Boa dose de selênio e fósforo: o selênio contribui para a imunidade e a tireoide; o fósforo ajuda a manter ossos firmes.
  • Poucas calorias: dependendo do preparo, cerca de 75–85 kcal por 100 g.

Para quem consome carne vermelha com frequência, o eglefino pode substituir parte dessas refeições. Com isso, tende a cair a ingestão de gorduras saturadas, associadas ao aumento do colesterol LDL. Esse ajuste ajuda a reduzir, de forma direcionada, o risco individual de doenças cardiovasculares.

Mercúrio no peixe: por que o eglefino leva vantagem

O mercúrio chega ao ambiente por emissões, atividade industrial e outras fontes, e pode se acumular no oceano. Ali, microrganismos absorvem o metal; depois, peixes pequenos comem esses organismos. Quando um peixe predador maior consome muitas dessas presas, a contaminação aumenta - especialistas chamam esse processo de “bioacumulação”.

É justamente aí que o eglefino se favorece:

  • Ele tem vida relativamente curta, o que reduz o tempo de acúmulo de mercúrio.
  • Sua alimentação é baseada, em grande parte, em organismos do fundo do mar, como pequenos crustáceos e vermes, e não em peixes grandes.
  • Ele não está entre os superpredadores do topo da cadeia alimentar.

Por isso, órgãos como a agência reguladora de alimentos dos EUA, a FDA, classificam o eglefino como “melhor escolha” para consumo regular. Avaliações europeias também o colocam no grupo de peixes com menor carga de contaminantes.

A carga no eglefino é considerada tão baixa que, em quantidades usuais, até crianças e gestantes podem consumir com segurança.

O cenário é diferente para atum, peixe-espada ou tubarão. Essas espécies ficam no alto da cadeia alimentar, vivem mais tempo e podem concentrar bem mais mercúrio nos tecidos - por isso, são opções mais adequadas para consumo ocasional.

Nutrientes em comparação: eglefino e bacalhau

Eglefino e bacalhau são da mesma família e os dois entram na categoria de peixes brancos e magros. Para muitas pessoas, os filés parecem quase iguais. Mesmo assim, existem diferenças sutis.

Característica Eglefino (aprox.) Bacalhau (aprox.)
Calorias por 100 g 75–85 kcal 75–85 kcal
Teor de gordura muito baixo, muitas vezes um pouco menor muito baixo
Selênio tende a ser um pouco maior alto, mas geralmente um pouco menor
Textura bem macia, com filés menores lâminas um pouco mais grossas, pedaços maiores
Sabor suave, levemente adocicado suave, mais neutro

Do ponto de vista nutricional, os dois ficam bem próximos. Quem gosta de bacalhau, em geral, também se dá bem com eglefino - e há quem considere o eglefino ainda mais delicado e agradável, especialmente se não gosta daquele “cheiro de peixe” típico.

Com que frequência dá para comer eglefino?

Em geral, sociedades de nutrição recomendam uma a duas refeições com peixe por semana. A orientação costuma ser alternar peixes gordurosos (por exemplo, salmão, cavala e arenque) com opções magras, como o eglefino, para cobrir tanto ômega-3 quanto proteína magra.

Como o eglefino tem níveis baixos de mercúrio, não costuma haver restrições especiais. Ele é particularmente interessante para grupos mais sensíveis:

  • Gestantes e lactantes: aproveitam proteína, B12 e iodo, sem precisar temer um aumento relevante de metais pesados.
  • Crianças pequenas: podem receber pequenas porções de vez em quando, por exemplo cozidas no vapor de forma suave ou assadas.
  • Pessoas com risco cardiovascular: conseguem trocar pratos de carne mais calóricos por refeições leves à base de peixe.

Como preparar eglefino na cozinha

Por ter carne delicada e quase adocicada, o eglefino pode agradar até quem normalmente não curte peixe. O sabor é suave e não é “muito com gosto de peixe”. Algumas ideias simples:

Cozinha rápida do dia a dia

  • No forno: asse os filés com um fio de azeite, sal, pimenta, limão e ervas frescas - fica pronto em 15–20 minutos.
  • No vapor/cozimento suave: cozinhe lentamente em caldo ou sobre uma cama de legumes. Assim, a proteína fica macia e suculenta.
  • Na frigideira (tipo “mexidinho”): corte em cubos, doure rapidamente e sirva com legumes e um pouco de molho de iogurte.

Para quem quer controlar calorias

  • Evite empanar e prefira assar no papel-manteiga/papilote.
  • Como acompanhamento, escolha legumes assados ou salada em vez de batata frita.
  • Faça molhos com base de caldo, iogurte ou tomate, e não à base de creme de leite.

O que observar na hora de comprar

No comércio, o eglefino aparece com mais frequência congelado e, às vezes, também fresco no balcão. Alguns pontos ajudam a fazer uma escolha mais responsável:

  • Origem: os estoques no Atlântico Norte e no Mar do Norte sofrem níveis diferentes de pesca. Vale conferir área de captura e método de pesca.
  • Selos: certificações como a MSC indicam pescarias conduzidas com foco maior em sustentabilidade.
  • Frescor: no peixe fresco, odor, cor e textura devem estar adequados - nada de cheiro forte e agressivo; o ideal é um aroma mais neutro.

Quem compra peixe com consciência soma benefícios à saúde e mais respeito aos oceanos e aos estoques.

Ômega-3, selênio, iodo: o que esses nutrientes representam

O eglefino tem menos ômega-3 do que salmão ou cavala, mas as gorduras presentes ainda ajudam a reduzir triglicerídeos no sangue e têm efeito anti-inflamatório. Junto do baixo teor de gordura, isso resulta em um perfil nutricional favorável.

O selênio atua como antioxidante e dá suporte ao funcionamento da tireoide. Em várias regiões da Europa, a ingestão de selênio tende a ser baixa. Por isso, porções regulares de eglefino podem contribuir para diminuir essa lacuna. Dependendo da área de pesca, o peixe também fornece quantidades perceptíveis de iodo, outro nutriente importante para a tireoide.

Para quem consome poucos laticínios ou quase nenhum alimento de origem animal, o alto teor de vitamina B12 do eglefino também é um ponto forte. Essa vitamina participa de processos ligados à concentração, à saúde do sistema nervoso e à formação do sangue.

Sem pânico: coma peixe, mas escolha com inteligência

O receio de mercúrio não precisa levar à exclusão total de peixe da alimentação. Espécies como o eglefino mostram que dá para unir consumo consciente e segurança. Ao optar por peixes magros e com baixa carga de contaminantes, você obtém nutrientes valiosos sem expor o corpo a metais pesados desnecessários - e ainda traz mais variedade para a rotina na cozinha.


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