Enquanto muita gente já guardou as ferramentas até a primavera, produtores profissionais continuam no jardim, remodelando os canteiros - e transformando uma touceira cansada em cinco plantas novas, vigorosas e de graça.
Por que o fim de janeiro é o melhor momento para dividir plantas perenes
O instinto do jardineiro caseiro costuma ser esperar calor e sol antes de mexer em qualquer planta. Só que esse calendário é bom para nós, não necessariamente para elas. Para muitas plantas perenes rústicas, o fim de janeiro é, na prática, a fase menos estressante para levantar, mudar de lugar ou dividir.
Nesta época, elas estão em dormência profunda. A seiva recuou, a parte aérea já sumiu ou está seca, e as raízes funcionam em ritmo lento. Intervir agora costuma causar bem menos impacto do que quando a planta está gastando energia para emitir folhas e flores.
Trabalhar no fim de janeiro dá às novas divisões várias semanas para cicatrizar e formar pontas de raízes novas antes de começarem as exigências do crescimento de primavera.
Depois de levantar e partir uma touceira, os pequenos cortes nas raízes começam a cicatrizar e a se regenerar. Quando os dias ficam mais longos e as temperaturas sobem, cada divisão já está pronta para sustentar novos brotos - em vez de desperdiçar energia se recuperando de uma mexida de última hora na primavera.
Há ainda um motivo bem pé no chão: a chuva do inverno costuma soltar o solo, facilitando contornar touceiras grandes com a pá e fazer alavanca para tirá-las sem arrebentar metade do sistema radicular.
Quais plantas perenes gostam de ser divididas agora - e quais é melhor não mexer
Nem toda planta tolera “cirurgia” no meio do inverno. Priorize plantas perenes resistentes e caducas (que perdem a parte aérea), que já desapareceram sob a terra ou ficaram como tocos secos e marrons acima do solo. Os melhores casos são touceiras instaladas há pelo menos três ou quatro anos e que começaram a florescer menos no centro.
Melhores candidatas para dividir em janeiro
- Ásteres de outono: se ficam tempo demais sem divisão, costumam pegar oídio e ficar lenhosos. Dividir ajuda a manter vigor e formato mais cheio.
- Lírios-de-um-dia (Hemerocallis): raízes grossas e carnosas facilitam o corte e o replantio, com recuperação rápida.
- Phlox paniculata: touceiras antigas florescem pior; ao dividir, você incentiva brotação mais fresca, ereta e florífera.
- Coreopsis e rudbeckia: “coringas” de bordadura que respondem muito bem quando são levantadas e divididas a cada poucos anos.
- Hostas: desde que o solo não esteja congelado como pedra, dá para dividir antes de os “chifres” do novo crescimento aparecerem na superfície.
Já as perenes que florescem no inverno ou bem no começo da primavera pedem outra estratégia. Ou elas já estão em crescimento ativo, ou simplesmente não aceitam ter as raízes perturbadas.
Evite especialmente heléboros e peônias. Os heléboros estão se preparando para florir, e mexer neles agora pode reduzir a floração pela metade. As peônias, por sua vez, muitas vezes “emburram” por anos quando são movidas ou divididas de forma inadequada.
Como regra, se uma perene já está com botões ou flores, ou é conhecida por detestar mexida nas raízes, é melhor deixar para a fase de repouso.
Passo a passo: como dividir uma touceira sem matar a planta
O momento em que muita gente trava é quando a planta já está fora do chão e chega a hora de cortar. Parece agressivo. Na prática, dividir se parece mais com uma cirurgia do que com uma carnificina: você remove tecido gasto e dá espaço para as partes mais saudáveis crescerem melhor.
Levantando a planta
- Escolha um dia em que o solo esteja trabalhável, sem estar congelado nem encharcado.
- Com uma pá ou um garfo de jardim, cave em círculo amplo ao redor da touceira, mantendo alguns centímetros de distância das hastes visíveis.
- Faça alavanca para tirar a massa inteira de uma vez, preservando ao máximo as raízes da parte externa.
- Sacuda ou bata de leve para soltar o excesso de terra e enxergar a estrutura do sistema radicular.
Em geral, dá para ver um centro cansado e lenhoso, com menos gemas vivas, cercado por um anel de crescimento mais jovem e vigoroso. Esse miolo é o que tende a ir para o descarte; as bordas externas são as partes que vale manter.
Fazendo as divisões
Com a touceira fora do chão, há duas formas básicas de separar.
- Na mão: em plantas de raiz fibrosa e flexível, dá para ir “desfiando” a touceira em partes, puxando com firmeza e cuidado. Comece pelas bordas e vá para dentro.
- Com lâmina: quando a coroa é densa e enroscada, use uma pá bem afiada, um serrote de poda ou uma faca robusta. Apoie a touceira no chão e corte como se fosse um bolo, em fatias.
Cada pedaço novo deve ter pelo menos uma ou duas gemas visíveis e um bom leque de raízes. Pedacinhos minúsculos raramente prosperam.
Não se assuste se ouvir raízes se rompendo durante o processo. Espécies como lírios-de-um-dia, rudbeckias e ásteres lidam bem com essa “brutalidade”, desde que cada parte final tenha raízes suficientes e alguns pontos de brotação.
Replantio: a hora decisiva depois de dividir
Raízes recém-cortadas ressecam mais rápido do que parece quando bate vento frio. Então, depois que você começa a levantar e separar, o ideal é se comprometer a replantar as divisões no mesmo dia.
Se você não puder plantar imediatamente
- Faça um plantio provisório (“acalçar”) em um canteiro vazio de hortaliças: abra uma vala rasa, alinhe as divisões e cubra as raízes com terra.
- Ou coloque em vasos com terra de jardim ou composto sem turfa e deixe em um local protegido.
Para o lugar definitivo, a preparação do terreno pesa tanto quanto o corte.
| Etapa | O que fazer |
|---|---|
| 1. Melhorar o solo | Solte a área de plantio e incorpore composto bem curtido ou um fertilizante orgânico de liberação lenta. |
| 2. Plantar na profundidade certa | Posicione a divisão de modo que a coroa (onde as raízes encontram os brotos) fique no nível do solo ou ligeiramente acima. |
| 3. Firmar bem | Aperte a terra ao redor das raízes com as mãos ou com o pé, eliminando bolsões de ar. |
| 4. Regar uma vez | Dê uma rega caprichada para acomodar a terra junto às raízes, mesmo que a previsão indique chuva. |
Ondas de frio ainda podem acontecer, especialmente quando as raízes foram mexidas há pouco.
Uma camada grossa de cobertura morta com folhas, casca ou palha funciona como um edredom de inverno, protegendo as raízes jovens de geadas fortes.
Deixe a cobertura um pouco afastada dos pontos de brotação, para evitar apodrecimento em períodos longos de umidade.
A matemática silenciosa: como uma touceira vira um canteiro
Dividir perenes no fim de janeiro traz retorno em várias frentes: no visual, no manejo e no bolso.
Pense em um lírio-de-um-dia maduro que está no mesmo lugar há cinco anos. Na superfície, pode parecer uma planta só. No subterrâneo, é comum haver um anel de várias plantas menores espremidas. Com uma pá e quinze minutos de trabalho, muitas vezes dá para obter cinco ou seis divisões fortes.
Se cada uma dessas divisões custaria £7–£10 em um garden center, uma única sessão com a pá pode economizar £40 ou mais.
O ganho menos evidente é a saúde da planta. Touceiras velhas e congestionadas vão exaurindo o solo ali embaixo e tendem a ficar mais suscetíveis a doenças. Ao dividir, você reduz essa pressão, dá a cada parte um pedaço de terra “novo” e, com frequência, consegue uma floração mais intensa em uma ou duas estações.
Também existe uma vantagem de desenho. Repetir a mesma variedade em intervalos ao longo de um canteiro amarra a composição inteira. Ao multiplicar suas próprias plantas por divisão, você cria esse ritmo e essa unidade sem precisar sair caçando cultivares idênticos nas lojas.
Erros comuns e como evitar
A maioria dos fracassos depois da divisão costuma vir de alguns deslizes simples.
- Plantar divisões pequenas demais, frágeis.
- Deixar raízes expostas ao vento que resseca por horas.
- Replantar em solo compactado e pobre, sem acrescentar matéria orgânica.
- Não regar na hora do plantio porque “é inverno, o solo já está úmido”.
- Dividir plantas que não estão totalmente em dormência ou que não suportam perturbação, como peônias.
Evitando isso, as taxas de acerto costumam ser altas - principalmente com as perenes resistentes listadas antes.
Alguns termos úteis e situações para quem está começando
A palavra “dormência” aparece muito em dicas de jardinagem de inverno. Em termos simples, é o período de descanso da planta. Acima do solo, o crescimento para. Abaixo, o metabolismo desacelera, mas não zera. Por isso as raízes ainda conseguem cicatrizar e crescer devagar depois que você divide uma touceira no frio.
Outro termo importante é “coroa” (ou “colo”): o ponto de encontro entre raízes e caules. Se você plantar fundo demais, a coroa pode apodrecer. Se plantar raso demais, as raízes ficam mais expostas ao ressecamento e ao congelamento.
Imagine dois jardins vizinhos neste ano. Em um deles, o jardineiro deixa todas as perenes antigas quietas até abril. Nessa altura, os brotos já estão surgindo, e qualquer divisão atrasa as plantas justamente quando elas estão usando energia para crescer. No outro, o jardineiro passa um sábado frio no fim de janeiro dividindo três ou quatro touceiras principais, replantando as melhores partes e aplicando cobertura morta.
Até o meio do verão, o segundo jardim costuma ter canteiros mais cheios, floração mais uniforme e menos falhas - tudo pelo custo de algumas horas no frio.
Para quem está começando, faz sentido combinar a divisão de inverno com compostagem básica. A parte central lenhosa que você remove das touceiras antigas não precisa ir para o lixo; ela pode virar alimento para o solo quando se decompor na composteira. Em algumas estações, esse ciclo de dividir, plantar e compostar é capaz de transformar uma bordadura rala e irregular em um tapete denso e repetido de cor - sem comprar uma única planta nova na primavera.
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