Muitos jardineiros amadores simplesmente colocam o tomateiro em pé na terra - e, com isso, deixam de aproveitar um enorme potencial de crescimento.
Quem cultiva hortaliças de forma mais profissional costuma fazer diferente: deita a muda de tomate em uma pequena valeta e deixa apenas a ponta para fora. À primeira vista parece estranho, mas, segundo horticultores experientes, o resultado tende a ser plantas bem mais vigorosas, mais resistentes à seca - e, muitas vezes, com melhor produção.
Por que tomates plantados na horizontal ficam tão vigorosos
O tomate tem uma característica que muitas outras hortaliças não possuem: cada trecho do caule que encosta na terra consegue formar novas raízes. Técnicos e produtores chamam essas raízes extras de raízes adventícias.
"Quando você deita o tomate, transforma boa parte do caule em um sistema radicular adicional - como uma rede de segurança subterrânea."
Um exemplo ajuda a visualizar: em vez de plantar uma muda com cerca de 25 cm na vertical, você a posiciona de lado em uma valeta rasa. Assim, algo como 20 cm do caule fica em contato direto com o solo. Em pouco tempo, essa longa área encostada na terra passa a emitir inúmeras raízes.
Esse “tapete” de raízes mais superficial e horizontal traz vários ganhos ao mesmo tempo:
- Mais área de raízes: a planta alcança água e nutrientes em uma faixa maior do solo.
- Crescimento mais estável: o emaranhado de raízes ancora o tomateiro com muito mais firmeza.
- Maior resistência à seca: a planta lida melhor com ondas de calor e com regas irregulares.
- Folhagem mais saudável: com mais circulação de ar ao redor das folhas, diminui o risco de fungos como a requeima.
Há ainda outro benefício: a parte do caule que fica enterrada permanece mais protegida de variações extremas de temperatura. Enquanto a superfície do canteiro pode esquentar bastante durante o dia e esfriar à noite, poucos centímetros abaixo a temperatura costuma ser bem mais estável - e o sistema radicular se favorece disso.
Para quais tomates a técnica é ideal
O plantio horizontal funciona melhor quando as mudas já estão com cerca de 20 a 30 cm de altura. Em muitas regiões, isso costuma ocorrer em abril ou no início de maio - dependendo do local e, principalmente, de quando já não há risco de geadas fortes.
Aqui, vale separar por tipo de tomate:
- Variedades indeterminadas (que continuam crescendo em altura durante toda a temporada) se beneficiam muito. Elas produzem ramos longos, vários cachos florais e precisam de toda a força extra de raízes.
- Tomates tipo arbusto ou de varanda também podem ser deitados, desde que ainda não estejam com o caule muito lenhoso.
- Tomates em vaso na varanda podem seguir o mesmo princípio em jardineiras longas e profundas ou em vasos grandes - o essencial é haver profundidade suficiente e uma boa drenagem.
Existe, porém, uma exceção importante.
Quando você não deve deitar o tomate
Em mudas de tomate enxertadas, a técnica de plantar na horizontal não deve ser usada. O ponto de enxertia - normalmente visível como um pequeno engrossamento no caule - precisa ficar obrigatoriamente acima do solo. Se ele for enterrado, a variedade enxertada cria raízes próprias e a vantagem do porta-enxerto (mais robusto) se perde.
Além disso, em solos muito pesados e encharcados, uma valeta mais funda pode ser problemática. O trecho do caule enterrado tende a apodrecer quando a água não consegue escoar. Nessa situação, é melhor optar por um canteiro levemente elevado ou por um vaso grande com um substrato mais solto e bem drenado.
Ferramentas e materiais para a “valeta do tomate”
Kit básico para o plantio
- Pá ou cultivador manual para abrir a valeta
- Uma estaca firme ou tutor em espiral por planta
- Composto orgânico bem curtido
- Material seco para cobertura (por exemplo, palha, folhas picadas)
Melhoradores de solo e quantidades recomendadas
- Profundidade da valeta: cerca de 10 a 15 cm.
- Composto: 2 a 3 punhados na parte mais baixa da valeta por planta.
- Urtiga fresca bem picada: 1 punhado como reforço natural de nitrogênio, se houver.
- Cinza de madeira (peneirada): cerca de 1 colher de sopa por planta como fonte de potássio - use com moderação para não elevar demais o pH.
O composto e a urtiga liberam nutrientes aos poucos e de forma mais constante. Já a cinza de madeira ajuda mais adiante na formação dos frutos, porque o tomate precisa de bastante potássio para sabor e qualidade.
Passo a passo: como plantar tomates deitados do jeito certo
- Abrir a valeta: com pá ou cultivador, faça uma valeta reta com 10 a 15 cm de profundidade.
- Retirar as folhas inferiores: belisque ou corte as folhas da parte de baixo do caule em cerca de dois terços do comprimento total. Assim, nenhuma folha encosta no solo e a região do caule consegue enraizar sem impedimentos.
- Deitar a muda com cuidado: posicione o tomateiro de lado dentro da valeta, sem dobrar ou esmagar o caule.
- Deixar só a ponta para fora: apenas os 5 a 10 cm finais, com as folhas mais novas, devem ficar acima do solo.
- Cobrir com terra: preencha a valeta com terra solta e pressione levemente ao redor do caule para não deixar grandes bolsões de ar.
- Colocar o tutor imediatamente: finque uma estaca ao lado da muda. O tomateiro rapidamente se vira em direção à luz; com o tutor, você evita quebras.
- Aplicar uma boa cobertura morta: cubra a área das raízes com palha ou folhas secas. Isso conserva a umidade e protege as raízes que estão se formando.
"Em poucos dias, a ponta do broto já aponta claramente para cima - o primeiro sinal de que a planta se adaptou à nova posição."
Erros comuns no plantio horizontal e como evitar
Em geral, as dificuldades não vêm da técnica em si, e sim de pequenos descuidos. Os tropeços mais frequentes são:
- Solo encharcado: em terra argilosa e com excesso de água, o caule enterrado apodrece rapidamente. A solução é melhorar a drenagem ou usar canteiro elevado.
- Falta de espaçamento: quando os tomateiros ficam muito próximos, as folhas secam mais devagar e os fungos se espalham com facilidade.
- Regar por cima das folhas: folhagem molhada em noites mais frescas favorece a requeima. O ideal é molhar diretamente o solo.
- Esquecer o tutor: ao se virar para cima sem apoio, o caule pode dobrar e quebrar.
Mantendo bom espaçamento, regando de preferência pela manhã e evitando jogar água na folhagem, o risco de doenças fúngicas cai bastante.
Que efeitos essa técnica traz ao longo da temporada
Em pouco tempo já se nota um crescimento mais forte. Muitos cultivadores relatam que tomateiros plantados deitados “sentem” menos o transplante, ou seja, demoram menos para retomar o crescimento e voltam a brotar mais cedo.
Com a chegada do verão, a grande área de raízes mostra o principal trunfo: as plantas aguentam melhor períodos secos, as folhas murcham com menos frequência e erros de rega pesam menos. É comum também aparecer uma floração mais uniforme, com colheita mais constante ao longo da estação.
Se no fim haverá, de fato, mais quilos de tomate por planta depende de variedade, clima e manejo. Ainda assim, em muitos jardins fica claro que as plantas parecem mais resistentes e enfrentam com mais tranquilidade estresses como vento, calor ou pequenas pausas na rega.
Complementos práticos para tomateiros ainda mais firmes
Quem já adota o plantio horizontal pode potencializar o resultado com alguns ajustes simples:
- Desbrotar com regularidade: quebre ou corte os brotos laterais que nascem nas axilas das folhas enquanto ainda são pequenos. Assim, mais energia vai para os ramos principais e para os frutos.
- Regar de forma direcionada: melhor regar com menos frequência, porém com boa profundidade. Isso estimula as raízes a buscarem água mais abaixo.
- Repor a cobertura morta: no verão, a cobertura se compacta e afina rapidamente. Quando a camada fica fina, o solo seca com mais facilidade.
Se você gosta de usar chorume de urtiga, aplique apenas depois que as plantas estiverem bem enraizadas. Quando a adubação é muito cedo e muito forte, o tomateiro tende a produzir muita folha, mas menos frutos.
Por que vale testar no seu próprio jardim
Plantar tomate deitado leva só alguns minutos a mais, mas aproveita uma característica da planta que muita gente ignora. Em anos de verão quente e seco, esse detalhe pode ser a diferença entre tomateiros sofrendo e plantas realmente vigorosas.
Se você sempre plantou na vertical, dá para fazer um teste simples: plante uma parte do cultivo do jeito tradicional e outra parte deitada. Comparar crescimento, firmeza e produção no fim da temporada costuma ser a forma mais clara de ver o quanto essa técnica funciona no seu caso.
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