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Costeleta bovina: o segredo da última costela segundo Cédric Castaing

Chef cortando costela suculenta grelhada sobre tábua de madeira com batatas assadas e temperos no fundo.

Quem para diante da vitrine no balcão do açougue costuma enxergar sempre a mesma trinca: costeleta bovina, entrecôte, steak. A mão vai no automático para o pedaço mais bonito - e, muitas vezes, também o mais caro. Só que, segundo um açougueiro experiente da região da bacia de Arcachon, é justamente assim que o cliente deixa escapar, repetidas vezes, a parte mais interessante no sabor.

O problema no balcão: todo mundo pede só “costeleta”

Para quem trabalha no corte, chamar tudo de “costeleta bovina” é vago demais. O nome pode indicar várias áreas bem diferentes do animal. Mais à frente, há mais osso e tecido conjuntivo; no meio, fica o “astro” que rende foto; mais atrás, a carne aparece um pouco mais compacta, com gordura bem distribuída - e é aí que mora a dica.

O açougueiro francês Cédric Castaing, que publica sugestões com frequência na internet, destaca um ponto específico: a última costela no conjunto das costeletas. No vocabulário técnico, ele se refere à extremidade traseira da costeleta bovina, a parte “do fundo” da costela, já na transição imediata para a área do roastbeef/contrafilé.

"Na tábua, esse pedaço parece mais discreto - mas, na boca, ele disputa o primeiro lugar."

Enquanto a parte central, visualmente impecável, costuma sair primeiro, essa ponta muitas vezes fica esquecida. Ela tem um desenho menos regular, mostra mais gordura e não parece tão “pronta para o Instagram”. Para muitos profissionais, porém, é exatamente isso que a torna tão boa.

Por que a parte traseira da costeleta bovina é tão aromática

No trecho final da costeleta, alguns fatores se combinam e aumentam o sabor:

  • Marmoreio fino de gordura: pequenos veios de gordura atravessam o músculo.
  • Músculo um pouco mais firme: por ter trabalhado mais, tende a ter mais gosto próprio.
  • Proximidade do roastbeef/contrafilé: em estrutura, fica entre a costeleta e um corte “nobre”.
  • Maior concentração de aroma: ao selar, a gordura derrete e penetra nas fibras.

No balcão, açougueiros costumam definir esse trecho como “não é o bonitão, mas é o que tem personalidade”. A mastigada é só um pouco mais firme do que a de um corte nobre clássico; em troca, o sabor vem mais marcado, levemente amendoado e com muita suculência.

Como o profissional prepara esse corte na grelha

Castaing sugere não complicar, especialmente na primeira vez. Para ele, o ideal é uma grelha ou uma chapa de ferro bem quente:

  • Tire a carne da geladeira pelo menos 30 minutos antes de começar.
  • Se houver capa de gordura muito grossa e dura, apare um pouco com faca afiada; já os veios finos de gordura devem ficar.
  • Aqueça bem a grelha ou a chapa, até começar a soltar um leve fio de fumaça.
  • Salgue a carne imediatamente antes de ir ao fogo e, se quiser, passe uma camada bem leve de óleo.
  • Dependendo da espessura, sele por cerca de cinco minutos de cada lado.
  • Deixe descansar por alguns minutos e só então fatie.

Ele descreve o resultado assim: por fora, uma crosta bem dourada; por dentro, rosa forte puxando para o vermelho - um ponto clássico entre malpassado e ao ponto para malpassado. Quem prefere mais bem passado deve terminar em calor indireto, em vez de manter a peça tempo demais na chama direta.

"Borda crocante, centro suculento - é esse contraste de texturas que dá graça a esse trecho."

Quais temperos e acompanhamentos combinam

Como a carne já tem bastante personalidade, a orientação do profissional é temperar com moderação. Sal marinho grosso, pimenta-do-reino moída na hora e, no máximo, um toque de alho já dão conta.

Para acompanhar, funcionam especialmente bem:

  • batatas assadas com alecrim
  • salada verde simples com vinagrete
  • legumes grelhados, como pimentão, abobrinha ou berinjela
  • baguete fresca ou pão rústico para aproveitar o suco da carne

Quem gostar pode finalizar com um pequeno pedaço de manteiga de ervas sobre a carne já fatiada. Com o calor residual, ela derrete aos poucos e se mistura ao caldo do grelhado.

Como fazer o pedido certo ao açougueiro

O passo decisivo nem acontece na cozinha, e sim no balcão. Quando alguém pede apenas “uma costeleta bovina”, a escolha fica por conta do acaso - ou da pressão de vender o que sai mais rápido. A recomendação de Castaing é pedir com precisão.

Uma forma prática de dizer isso poderia ser:

"Quero a ponta traseira das costeletas bovinas, ou seja, a última costela logo antes do roastbeef/contrafilé."

Um bom açougueiro entende exatamente de que parte se trata. Se bater dúvida, vale perguntar e pedir para ver a peça na tábua. E o fato de ela não parecer tão “perfeita” quanto a parte do meio faz parte da proposta.

Quais alternativas o açougueiro também recomenda

O profissional de Arcachon não se limita a esse trecho de costela. Nas dicas dele, aparecem com frequência outros cortes bovinos que, na Alemanha, são mais de nicho, apesar de terem muito a entregar.

Corte Método de cocção Prato típico
Jarrete (perna / jarret) Cozimento lento (brasear) Ensopado, goulash, variação de ossobuco
Bochecha (joue) Cozimento muito longo e suave (brasear) Ensopado no vinho tinto, molhos encorpados
Fraldinha (bavette) Selagem rápida em fogo alto Steaks rápidos na frigideira, tiras para salada

Os três costumam custar bem menos do que os filés clássicos e, quando preparados do jeito certo, entregam sabor intenso. Além disso, usar esses cortes também ajuda a aliviar a demanda sobre as peças “nobres” mais disputadas.

Como reconhecer qualidade no balcão

Independentemente do corte escolhido, alguns sinais simples ajudam a identificar carne boa:

  • A cor é viva e uniforme, sem aspecto acinzentado.
  • A gordura parece cremosa, não amarelada nem esfarelada.
  • A área do corte fica levemente úmida e brilhante, sem ficar pegajosa.
  • O cheiro é neutro a agradável, nunca adocicado nem forte.

No caso do trecho traseiro da costeleta, vale observar com atenção os veios finos de gordura dentro do músculo. Eles derretem no preparo e garantem suculência - algo essencial quando o destino é a grelha.

Por que vale olhar além dos cortes “nobres”

Muita gente que gosta de carne vai direto, por reflexo, ao filé, ao roastbeef/contrafilé ou a um steak da alcatra. No açougue, a lógica costuma ser outra. Quem corta e cozinha no dia a dia testa mais, compara métodos e acaba chegando a peças que, à primeira vista, parecem sem graça. É exatamente aí que se encaixa a parte traseira da costeleta bovina.

Para quem faz churrasco em casa e para quem cozinha por hobby, mudar um pouco o olhar compensa. Quando você aceita um corte que não parece “de catálogo”, frequentemente ganha muito mais aroma - e, com sorte, ainda paga um pouco menos.

E, depois que você pega intimidade com esse pedaço específico, no próximo churrasco dá até para explicar o que está na grelha e por que foi essa a escolha. Uma costeleta que seria comum vira assunto - e talvez o novo corte preferido da sua cozinha.


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