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Como cortar as unhas do gato: quando fazer e o que evitar

Pessoa cortando as unhas de um gato tigrado sentado no sofá em ambiente iluminado e aconchegante.

O que faz bem para a gata - e o que pode causar prejuízo?

Quem convive com um gato que vive dentro de casa conhece o cenário: marcas de arranhões nos móveis, pequenos arranhões nas mãos e, às vezes, até um rasgo naquela poltrona favorita. Não demora para a tesourinha de unhas aparecer no carrinho de compras. Só que as garras, para o gato, são muito mais do que “unhas”. Quando o corte é feito do jeito errado, uma atitude com boa intenção pode provocar dor e até alterar o comportamento do animal por muito tempo.

Aparar as garras não é o mesmo que remover as garras

Em muitas conversas sobre o tema, duas coisas bem diferentes acabam misturadas: aparar com cuidado apenas a pontinha da garra e procedimentos cirúrgicos em que as garras são retiradas de forma permanente.

"Aparar levemente a ponta da garra pode fazer sentido em alguns casos - já remover garras por cirurgia é maus-tratos."

Procedimentos cirúrgicos: por que são catastróficos

Em alguns países, ainda se faz a cirurgia para “desgarrar” gatos. Nela, o veterinário não retira só a garra: muitas vezes, remove também a última falange do dedo. É um procedimento doloroso, altera toda a biomecânica do animal e com frequência leva a:

  • dores crónicas ao caminhar
  • mudanças na forma de andar, podendo evoluir para artrose
  • insegurança, medo e aumento da agressividade
  • dificuldades para usar a caixa de areia

Na Alemanha, esse tipo de intervenção - com exceção de raríssimas emergências médicas - é considerado contrário ao bem-estar animal e é proibido. Os gatos dependem das garras para escalar, brincar, se defender e até se comunicar.

Quando aparar as unhas pode fazer sentido

O cenário é bem diferente quando falamos do corte normal da ponta: remove-se apenas uma pequena parte da extremidade córnea, semelhante ao que fazemos ao cortar as unhas das mãos - desde que se saiba exatamente onde parar.

Situações em que aparar pode ser útil:

  • Gatos de apartamento sem opções suficientes de arranhadores: as garras se desgastam menos.
  • Gatos muito idosos ou doentes: com menos movimento, as garras crescem demais e podem encravar.
  • Gatos com alterações de alinhamento ou garras deformadas: aqui, vale conversar antes com a clínica veterinária.
  • Pessoas com imunidade comprometida na casa: assim, dá para reduzir a chance de arranhões pequenos.

Já gatos saudáveis e ativos com acesso à rua, árvores e superfícies firmes para arranhar normalmente não precisam de “manicure” humana.

Como são garras saudáveis

Antes de pegar a tesoura, compensa observar as patas com atenção. Garras saudáveis são pontiagudas, mas não ficam enroladas, não apresentam fissuras, mudanças de cor nem cheiro estranho. Elas devem “sair” um pouco quando você pressiona com delicadeza o coxim do dedo por cima e por baixo.

Se bater a dúvida sobre o comprimento, dá para usar esta regra prática:

Garra Indicação
Reta, sem enrolar em geral, ainda está ok
Visivelmente enrolada em direção ao coxim aparar, pois há risco de encravar
Fissuras, fragilidade pedir avaliação na clínica veterinária
Cheiro forte, muita alteração de cor possível infeção, investigar com urgência

Como cortar as unhas de um gato corretamente

Se você optar pelo corte, a melhor abordagem é fazer tudo com calma e de forma organizada. O stress passa direto para o gato - e aí o procedimento fica arriscado.

Preparação: o que você realmente precisa

  • Tesoura/alicate específico para garras (pet shop), e não tesoura de unha humana
  • Boa iluminação, para conseguir ver a “parte viva” da garra
  • Uma toalha, caso seja necessário conter o gato com suavidade
  • Petiscos, para associar a experiência a algo positivo

Tesouras de unhas para pessoas costumam esmagar a garra em vez de cortar limpo. Isso pode doer e ainda rachar a estrutura.

Passo a passo para aparar a ponta

  1. Leve o gato para um lugar tranquilo - idealmente após comer ou depois de brincar.
  2. Pressione de leve o coxim do dedo até a garra ficar exposta.
  3. Identifique a parte clara da garra. Por dentro, costuma haver uma faixa rosada: ali estão nervos e vasos sanguíneos.
  4. Corte apenas a ponta transparente, mantendo alguns milímetros de distância da área rosada.
  5. Prefira cortar pouco e repetir, se necessário, após algumas semanas.

"Se você cortar a parte rosada, atinge nervos e vasos sanguíneos. Dói muito e pode deixar a gata desconfiada por um longo tempo."

Se algo der errado durante o corte

Se o corte passar um pouco do ponto, o gato geralmente se assusta, puxa a pata e pode sangrar um pouco. Nessa hora, o mais importante é manter a calma.

  • Observe rapidamente a garra e pressione com um pano para remover o sangue.
  • Se o sangramento for maior, um pó hemostático (da clínica veterinária) pode ajudar.
  • Dê um tempo ao animal e não tente continuar o corte na mesma sessão.

Se o sangramento não parar ou se o gato mancar claramente ao apoiar a pata, o certo é procurar a clínica veterinária o quanto antes.

Muitas vezes, dá para resolver o “problema das garras” sem tesoura

Em muitas casas, os estragos aparecem porque o impulso natural de arranhar não tem uma saída adequada. Ao ajustar o ambiente, frequentemente nem é preciso aparar.

Ofereça arranhadores de forma inteligente

Os gatos precisam de várias opções firmes e bem posicionadas pela casa:

  • arranhador alto e estável perto de uma janela
  • prancha/placa de arranhar logo ao lado do sofá
  • superfícies verticais e horizontais, conforme a preferência do animal

Muitos gatos de apartamento preferem materiais naturais mais ásperos, como sisal ou madeira sem tratamento. Retalhos de carpete, por outro lado, costumam ter aceitação menor.

Treino e reforço positivo em vez de punição

Se você pegar o gato arranhando o móvel, não grite e muito menos agrida. Isso quebra a confiança e não resolve a causa. Uma estratégia melhor é:

  • pegar o gato com calma e afastá-lo do móvel
  • colocá-lo imediatamente no arranhador
  • estimular com um brinquedo perto do arranhador
  • quando ele usar o arranhador, elogiar na hora e oferecer um petisco pequeno

Com paciência, o gato passa a associar o arranhador a experiências boas - e o sofá tende a sofrer menos.

Acompanhe a saúde das garras

Fazer inspeções regulares nas patas vale a pena: muita gente só percebe tarde demais que a garra enrolou e está pressionando o coxim. Isso pode evoluir para inflamações dolorosas, às vezes com necessidade de tratamento sob anestesia.

Em especial com gatos idosos ou com excesso de peso, ajuda criar o hábito de olhar as patas a cada poucas semanas. Quem não tiver segurança pode pedir para a clínica veterinária (ou uma fisioterapeuta veterinária experiente) demonstrar o corte correto e avaliar o comprimento.

Mitos sobre garras de gatos - e o que é verdade

Há muita desinformação circulando. Três ideias erradas aparecem o tempo todo:

  • "Se eu aparar as garras, o gato não consegue mais escalar."
    Não é bem assim. Com a ponta levemente aparada, ele mantém as habilidades. Só cortes exagerados ou intervenções cirúrgicas é que tiram a função de escalar e se defender.
  • "Gatos de apartamento não precisam de garras."
    Mesmo dentro de casa, eles perseguem brinquedos, sobem em armários e dependem das garras para equilíbrio e segurança.
  • "Quanto mais eu corto, mais rápido elas crescem."
    O crescimento depende principalmente do metabolismo e do nível de atividade, não do ato de cortar.

Quando você entende e respeita as necessidades do gato, a necessidade de “corrigir” com tesoura diminui. Um ambiente bem adaptado, atividades e observação atenta evitam muitos problemas antes que apareçam.

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